Olá, queridões e queridonas!

Em meios aos percalços do cotidiano que afligem qualquer mortal, seja ele crente ou ateu, resolvi escrever sobre o silêncio. Pode parecer contradição, mas o que me levou a escrever sobre o assunto foi o excesso de barulho. De vez em quando tenho comentado com pessoas mais próximas sobre o drama que tenho passado com uns certos vizinhos meus – uns daqueles, diga-se de passagem, poucos familiarizados com bom senso e discrição. Pois é…quem aqui já não teve a desventura de conhecer um desses tipos que gostam de escutar música em alto e bom som – se bem que nem tão bom assim…hehehe

Não chegasse a desnecessidade de mostrar a potência do aparelho sonoro – e não pensem que estou inventando – tem um sujeito em especial que não se contenta e resolve fazer acompanhamento com entonações esganiçadas, tal qual um galo desafinado no seu ofício de anunciar o esplendor de um novo dia. Mas nem só de dias esplendorosos viveremos nessa terra, já advertiu Jesus: No mundo passareis por aflições (João 16:33) Sei bem o que Ele quis dizer, se bem que das aflições desse mundo não julgo essa ser das piores. E louvado seja Deus, que nos permite situações como esta que narro, as quais nos fazem lembrar de que a estes, dos vizinhos ruidosos falo, também devemos amar. Penoso é o trabalho – que não me interpretem mal a expressão – mas penoso é o trabalho do cristão, que tem o mandamento de amar como lei. Há pessoas que afirmam que não é preciso ser cristão para fazer o bem, para amar o próximo. Eu tenho sérias dúvidas sobre a honestidade de quem faz esse tipo de afirmação. Mas isto já é outra conversa.

Até aqui eu só expus uma situação que tenho enfrentado na vida real, situação essa que alguns de vocês também já devem ter passado. Até aí nenhuma novidade. Então o que eu quero compartilhar com vocês é um insight que tive no meio disso tudo. Para vocês terem uma ideia do tamanho, ou melhor, da altura do incômodo sonoro, eu consigo captar e gravar nitidamente (no meu notebook) as brigas, conversas, xingamentos e, claro, as músicas e cantorias desse meu vizinho. Tenho uma porção dessas gravações. Seria cômico se não fosse trágico. Então eu comecei a pensar em como ele se sentira ao ouvir suas próprias palavras e o quanto perturba o sossego alheio. Tenho certeza de que ele ficaria bastante envergonhado. Foi aí que comecei a imaginar se houvesse um vídeo ou um áudio gravado onde mostrasse os meus pecados, principalmente aqueles que cometo deliberadamente. Tive que engolir em seco. A minha vergonha veio como um turbilhão, e foi aí que, depois de tantos anos na caminhada cristã, compreendi com a mais nítida clareza o que é o meu pecado diante de Deus. Não que eu não tivesse clareza antes, mas nunca foi de uma forma tão contundente. Eu não estou falando de pecados morais, mas de pecados em geral. Isso me levou a repensar alguns hábitos, mudar algumas atitudes e, por mais louco que pareça, fui liberto de pecados que me prendiam. Diante disso, apertei as correias das sandálias, ajeitei a túnica, amarrei bem o alforje e, depois de deixar o fardo à beira da estrada, continuo prosseguindo no Caminho.

Somente pela Graça nos é concedida uma extraordinária faculdade de perceber o Senhor querendo dizer algo também nos momentos onde teríamos pouco a agradecer.

E o silêncio? Bem, aprendi a valorizar cada minuto de silêncio que tenho, e com mais frequência me ponho a meditar nesse amor pelo qual sou salvo, um amor que excede todo entendimento. (Efésios 3:19)

Que a paz de Cristo acompanhe a cada um de vocês.

Eduardo (o Kokinho) @edukokinho

Categorias: Reflexões

Comente pelo Facebook »