Ora, mas vejam só! O que tem o Evangelho a ver com vídeo games?! Bem, eu poderia fazer uma comparação – bem tosca por sinal – ilustrando que Jesus em sua jornada passou por todas as fases até virar o jogo e vencer o chefão, ou seja, a morte. Além de muito imprópria, nessa comparação residiria um grande problema, pois na obra de Cristo não houve jogo algum. Concordo com a frase de Albert Einstein que diz: “Deus não joga dados com o Universo”.  Ao tentar explicar circunstâncias adversas – e que geralmente estão fora da vontade de Deus – alguns costumam dizer que Deus joga xadrez e que as peças são movidas meticulosamente por Ele para que a situação acabe tendo um desfecho que atenda Seu propósito. A verdade é que Deus não joga, porque Deus não tem adversários. Nem mesmo Satanás é Seu adversário.

Eu poderia fazer uma analogia mais tosca ainda e falar sobre os controles ou joysticks dos vídeo games, finalizando com aquela velha frase a qual estamos costumamos a ouvir no meio cristão: “Deus está no controle”. Aliás, creio que essa frase pode suscitar muitas controvérsias entre alguns. Como é que Deus pode estar no controle se o mundo ou mesmo a minha própria vida vai de mal a pior? O que eu teria a dizer sobre isso é que você ou o mundo pode escolher sofrer com ou sem Deus.

Eu poderia falar também das mensagens inapropriadas que alguns jogos politicamente incorretos transmitem e como eles supostamente moldam o caráter e o comportamento das pessoas que jogam. Mas mensagens inapropriadas também são transmitidas pela mídia impressa, falada ou televisionada. O vídeo game seria só mais uma dentre as várias maneiras de disseminar informações e, porque não dizer, ideologias. Simpatizo, em partes, coma a idéia de que o vídeo game molda o caráter e o comportamento dos gamers. A tecnologia em si, o meio pelo qual nos é transmitido a mensagem, não é neutra. Ela causa dependência e molda a forma principalmente como raciocinamos bem como a nossa consciência. Isso me lembra o texto de Romanos 12.2, onde Paulo alerta para não nos amoldar ao padrão deste mundo, mas transformarmos pela renovação da nossa mente. Obviamente Paulo não tinha em mente as tecnologias da época ou futuras, e o contexto da passagem também nem é esse. Mas o fato é que podemos aplicá-lo – sem prejuízo e risco de desvio doutrinário – ao modo como estamos acostumados a pensar nos dias de hoje devido aos aparatos tecnológicos que nos cercam. A tecnologia é algo bom, mas não devemos nos submeter a ela. Cada vez mais perdemos a capacidade de contemplação, temos dificuldades de nos concentrar e pouca paciência para ler textos como esse. Quem escreve tem que se limitar às poucas linhas para atender uma necessidade imposta e cravada em nossas mentes que estão sendo condicionadas ao malabarismo e a superficialidade. Se você conseguiu chegar até aqui sem clicar em nenhum link e sem desviar a atenção, meus parabéns.

Enfim…o meu cérebro e os meus dedos me pregaram uma peça e acabei falando daquilo que eu estava evitando falar. No mais, as alegorias e os argumentos podem ser muitos. Vou continuar revolvendo as entranhas dos meus pensamentos tentando encontrar mais maneiras de utilizar atividades, fatos, acontecimentos do cotidiano comuns em nossa época para ilustrar e traduzir os valores do Reino de Deus.

Um abraço e fiquem na Paz!

Eduardo / @edukokinho

Categorias: Reflexões

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