Sabe aquela situação quando você é convidado para um evento como uma festa, balada, churrasco com o pessoal da escola, faculdade ou trabalho, e recusa tal convite? Aí alguém da turma sabe que você é crente (alguém sabe, né?!) e diz algo do tipo: ah! Você é evangélico(a), né? Não pode fazer essas coisas; ou então diz: ah! A tua igreja não deixa você fazer essas coisas.

É bem possível que, assim como eu, você já tenha passado por situações semelhantes a essa. Somos confundidos, na melhor das hipóteses, com pessoas certinhas, que não pode fazer isso ou aquilo de acordo com o que a nossa igreja ou a religião manda. Infelizmente essa é a ideia que a maioria das pessoas têm a nosso respeito. Obviamente nós, cristãos, sabemos que não é assim que as coisas funcionam.

Estive pensando nessa situação e ela me rendeu uma boa reflexão sobre duas questões. A primeira é: por que as pessoas têm essa ideia de que ser crente se resume ao “faça isso e não faça aquilo”? E a segunda questão é: como respondemos diante dessas situações?

Parte da resposta à primeira questão é a generalização. Ora, vivemos numa sociedade onde praticamente tudo é rotulado como, por exemplo, se uma pessoa tem tatuagem, então ela é mau caráter. É um julgamento extremamente precipitado com base na aparência. Normalmente esse mesmo modo de avaliação é utilizado para nos julgar também e, com base em estereótipos criados a partir do comportamento de um determinado grupo evangélico/religioso, tudo o que as pessoas sabem a nosso respeito é que somos fanáticos religiosos, que tem a mente estreita, que não tem senso crítico, que age irracionalmente, que fazemos tudo o que a religião manda sem questionar e que, como eu disse antes, na melhor das hipóteses somos confundidos com pessoas certinhas que não faz isso ou aquilo. Alguns dentre nós, cristãos, achariam esse julgamento preconceituoso, mas na realidade as pessoas que nos avaliam dessa forma estão apenas utilizando o senso comum, ou seja, um julgamento que se baseia num conhecimento raso do que é de fato ser um cristão e o significado de conversão. A verdade é que boa parte nem se interessa mesmo em conhecer a fé cristã, assim como não se interessam por nada que não venha lhes trazer um benefício individual ou que envolva compromisso e amor ao próximo sem esperar nada em troca.

Curiosamente, não raras vezes, dizem que pessoas que seguem algum tipo de religião não têm senso crítico, não investigam e se tem algum senso, este é limitado pela sua crença.  Confesso que quando eu ouvia esse tipo de julgamento eu ficava muito irritado. Isso me leva a responder a segunda questão: como respondemos diante dessas situações?

A primeira coisa que temos que ter em mente é que cristão é SER, e não PARECER ser. O que estou querendo dizer é que da mesma forma que uma tatuagem não define caráter de um indivíduo, o fato de alguém parecer ou dizer ser crente também não o define. O que importa não é que somos por dentro, e nem o que aparentamos ser, mas, sim, como agimos, pois é isso que faz a diferença. Quando somos confrontados por pessoas sem conhecimento, normalmente a nossa reação é de indignação e lá no fundo pensamos: “quem são esses(as) ímpios(as) pra falar desse jeito?” ou “que direito ele(as) de nos julgar dessa forma?”.

Quem são esses ímpios?! Bem, esses ímpios, pasmem vocês, são almas preciosas aos olhos de Deus. Em sua maioria são pessoas como as de Nínive, que espiritualmente não sabem discernir entre a mão direita e a esquerda (Jonas 4:11). Se você não sabe do que estou falando, vale a pena dar uma lida na história de Jonas. É um livro curtinho, são apenas quatro capítulos 😀

E respondendo a outra pergunta “que direito eles(as) de nos julgar dessa forma?”.  Temos razão em nos indignar com isso, mas aí está uma boa oportunidade para praticar aquilo que o apóstolo Pedro nos orienta :

“Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês.”  (1 Pedro 3:15)

E também

“Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.” (1 Pedro 2:15)

Em qualquer circunstância, seja quando somos julgados de forma equivocada, quando somos confundidos com fanáticos, intolerantes ou mesmo como “pessoas certinhas que não podem fazer isso ou aquilo”, nessas situações é sempre uma boa oportunidade para dizermos que não nos identificamos com os estereótipos criados para nos rotular e que a nossa fé vai muito além de seguir regras e princípios morais e éticos. O nosso compromisso é com vidas que precisam ser salvas, pois um dia esse mundo vai acabar e boa parte das pessoas não têm nem ideia do que vai acontecer depois, porque o mundo as condiciona a pensarem somente no aqui e agora. O nosso papel é fazer algo diferente do que a maioria faz, sendo uma forma de chamar a atenção para uma vida nova, que liberta de um mundo opressor que dita quem e como alguém pode/deve ser feliz.

Quando alguém diz algo do tipo “ah! Você é evangélico(a), né? Não pode fazer essas coisas”, como no exemplo que eu usei lá no começo, a pessoa na verdade não tem nem ideia do porquê o do que envolve ser cristão de verdade. Que Senhor nos dê sabedoria para sermos instrumentos de benção usados por Ele e que estejamos preparados para responder a qualquer um que peça a razão da esperança que há em nós.

Um abraço e fiquem na Paz.

Eduardo / @edukokinho

Categorias: Reflexões

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