Querem saber o que eu achei do filme Noah? Então vamos lá!

Quero começar dizendo que essa é a minha opinião sobre o filme. Não li nenhum review ou crítica a respeito. O máximo que fiz foi conversar com meu amigo Guigo, pois assistimos ao filme juntos. Também não sou especialista em cinema e mesmo conhecendo e sabendo o significado de muitos jargões usados no meio cinéfilo como “spoiler”,“plot”, “cliffhanger”, “blockbuster”, “clímax” etc, não vou ficar dando uma de babaca querendo parecer entendido do assunto. Gosto muito de filmes, de estudar sobre roteiros, trilha sonora, estruturas narrativas, saber quem é o diretor e quais os filmes que ele já fez, quem são os atores, enfim…essas coisas de nerd.

Bem, vamos ao filme. Primeiro de tudo é bom ter em mente que cinema é arte (assim como a música, teatro, literatura etc) e como praticamente toda arte um filme é subjetivo e passível de interpretação. Há mensagens universais e claras e há mensagens que cada um vai interpretar de acordo com a sua cosmovisão, ou seja, de acordo com aquilo que crê.

Se eu for interpretar o filme sob a ótica bíblica, com certeza ele tem alguns problemas. Então, como era de se esperar, o filme não é fiel ao relato bíblico – até porque o diretor (Darren Aronofsky) não é cristão e não tinha nenhum compromisso em fazer um filme que fosse fiel à narrativa bíblica ou que ficasse o mais parecido possível.

Mesmo não seguindo à risca o relato de Gênesis, o filme não chega a ser uma heresia blasfêmia e nem profano. O que Aronofsky – que foi quem dirigiu e também escreveu o roteiro – fez foi acrescentar alguns elementos de fantasia ao tema central da queda e da maldade do ser humano relatado em Gênesis. Você vai ver no filme, por exemplo, os Guardiões, que são uma “raça de anjos” caídos que ficaram com “pena” do ser humano após a queda e resolveram ajudá-los. Por esse motivo foram expulsos do céu e, na terra, assumiram a forma de criaturas deformadas. A aparência deles é uma espécie de golem de pedra com malformação. É estranho, mas eles me lembram alimentos crocantes. 😀

Só de ouvir a expressão “anjo caído” muita gente já vai torcer o nariz e demonizar o filme. Muita hora nessa calma, quer dizer…muita calma nessa hora. Foi apenas um recurso de fantasia que o diretor acrescentou à história. Ele não está fazendo nenhuma apologia a Lucifer ou coisa parecida. Esses “anjos” ajudaram o ser humano ensinando-lhe muitos artifícios, como de construção, por exemplo. O interessante é ver que mais tarde eles se arrependeram de ajudar o ser humano, pois viram a maldade que havia no coração homem (e da mulher também).

Por mais que Aronofsky tenha “viajado” e acrescentado elementos extrabíblicos à narrativa, a história contada no filme girou em torno da queda do homem no Éden, a maldade no coração do ser humano e a escolha (calvinólatras piram) de fazer o bem e o mal. O ser humano tem um grande potencial tanto para fazer o bem quanto para fazer o mal.

Nesse sentido, o filme foi muito bom e emocionante. Há uma cena em especial que gostei muito, que é quando Noé conta a história da criação do mundo. Enquanto ele faz a narração passa um clipe mostrando a formação do cosmos, dos planetas, a terra, enfim… a criação. O que eu achei interessante nesse clipe é que ele mostra a perfeita harmonia entre a visão criacionista e evolucionista. Deus poderia muito bem ter usado a evolução na criação das espécies.

Como épico acho o filme deixou a desejar. Parece que faltou orçamento. A trilha sonora não chegou a ser marcante, mas pra quem já assistiu outros filmes de Aronofsky vai reconhecer algumas melodias marcantes como a de “Réquiem para um sonho”, por exemplo. A estrutura narrativa não me agradou muito. A sequencia dos eventos, a meu ver, deixou algumas lacunas. Fiquei com aquela sensação de que faltou contextualizar ou explorar mais. O conflito de Cam com Noé, por exemplo, não me convenceu nem um pouco. A direção de arte (que é responsável pelo visual como cenário, figurino e maquiagem) também deixou a desejar. Como disse o meu amigo Márcio no podcast que gravamos em dezembro comentando o trailler do filme: “eles estão muito chic dilúvio”. Quanto aos atores, o elenco de peso foi só para chamar a atenção mesmo. Faz parte da indústria cinematográfica de Hollywood. Apesar da maioria dos atores ser muito bons, não vi nenhuma atuação espetacular.

Há muito mais pontos do filme que rendem uma boa discussão. Eu me ative somente a alguns pontos que achei relevantes por hora pra dar minha opinião geral sobre Noah. Por tudo que expus aqui e outras coisas mais que deixei de falar, minha nota de 0 a 10 para o Noah de Aronofsky é 6,5.

Em breve eu, o Márcio, o Danilo e o Guigo vamos gravar um podcast sobre o filme e lá podemos explorar mais nossos pontos de vista (inclusive teológicos) e aprofundar mais essa discussão.

Enquanto isso, você pode ouvir esse podcast aqui que eu mencionei antes, onde comentamos o trailer do filme, falamos sobre o diretor Darren Aronofsky e suas obras. Os manos lá do NoBarquinho vão fazer um Hangout dia 09/04. Quem quiser participar está convidado.

Se você já assistiu Noah, deixe aqui nos cometários suas impressões sobre o filme. A opinião dos nossos leitores e ouvintes é muito importante para ajudar a enriquecer o diálogo e assim aprendermos juntos.

Um abraço!

Eduardo de Oliveira (vulgo: edukokinho)

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Categorias: Reflexões

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