Há um tempinho, minha amada futura esposa me contou algo que tocou meu coração e me fez entender algo a respeito de Deus. Toda sorridente e comovida, veio contar que uma criança de 3-4 anos havia lhe dado um ‘desenho’, um papel todo rabiscado, e dito, “é pra você, eu fiz!”. Todos sabemos como são desenhos de crianças dessa idade: rabiscos coloridos,  papel amassado  e possivelmente uma baba ou remela no meio da folha! Por que alguém se comoveria, como minha namorada, por um presente desses? O que há para se alegrar em recebê-lo? Tudo! Pense, aquele desenho era o melhor que aquela criança podia fazer, e aquele melhor “é pra você!”.

Damos risadinhas e sentimos um calor no coração quando crianças agem assim porque o que fazem, fazem com sinceridade e com a melhor intenção. Aquela menininha não esperava glória, fama, dinheiro, doces, brinquedos, etc., apenas um elogio, reconhecimento e agradecimento, pois presentava alguém com o melhor que podia desenhar. Ela esperava agradar, e não faturar! Aquele desenho não representava nada e não tinha valor artístico algum, mas sua intenção era preciosíssima.

Pois bem, é assim que me vejo diante de Deus. Se Deus é Pai – e Jesus disse que é! –, deve pensar do que faço para Ele como pensei da criança. Todas as noites, entrego a Ele uma vida toda rabiscada, babada e amassada e, em sinceridade de coração, digo, “é pra você, eu fiz!”. Apesar de não ser grandes coisas nem ser muito bonito, é o que sei fazer. E sei que se oferecer meus dons e afetos a Ele, serão bem aceitos. O sentimento de poder alegrar Deus é muito confortante e satisfatório – assim como o de magoá-lo e irá-lo é amedrontador!

Gosto de desenhar e fazer música. Mas o melhor desenho que posso fazer será apenas uma cópia do que Deus criou. Se sou admirado por desenhar uma bela árvore, quanto mais Deus por ter criado florestas! Se sou admirado por criar uma melodia agradável, quanto mais Deus por ter criado a música em si! E é por isso que nos é dito para não nos gabarmos pelas obras que fazemos, pois comparadas ao que Ele faz, são rabiscos com remela.

Aprendo, então, que o valor do que o cristão faz a Deus está na intenção. O cristão que faz música para ficar famoso, por exemplo, deve ser visto por Deus como uma criança que busca fama com seus rabiscos babados. Mas o cristão que faz música para agradar o Senhor deve ser visto por Ele como a menininha que buscou agradar minha namorada com seu desenho.

Não há o que podemos dar ao Senhor que Ele mesmo não possa fazer mil vezes melhor, mas a possibilidade de consagrar a Ele nosso melhor e a oferta de nosso tudo em sinceridade de coração deve chegar à Sua presença como um “é pra você, eu fiz!”.

Pensar que Deus me recebe como minha namorada recebeu aquele presente me faz querer amá-lO mais.

O Reino dos Céus é das crianças!

Guilherme Adriano

Categorias: Reflexões

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