Denzel Washington não se intimida por ser um cristão. Em uma recente entrevista para uma revista americana ele diz que a “Bíblia é o código de conduta da vida dele”. Para um ator conhecido que é e com um cache de Hollywood que ele tem, é claro que ao falar abertamente de sua religião ocasionou uma “vitória de fé” para alguns cristãos. Mas será que é uma vitória mesmo? Será que toda a celebridade que se diz cristã realmente se rendeu ao cristianismo ou está só usando de escada?

Primeiramente precisamos ter a clareza sobre os aspectos positivos, especialmente no caso de alguém como Washington que tem um pensamento aguçado e uma incrível vocação como ator. Ele é alguém que pensa, que tem um olhar crítico sobre as coisas e que reconhece a necessidade da arte e do cinema em um mundo caído, tentando mostrar para as pessoas o seus ideias através de pequenos gestos como os dizeres “o salário do pecado é a morte” que aparece no roteiro inicial do filme “Dia de Treinamento”. O compromisso de Washington com sua arte está de parabéns, juntamente com a sua vontade de rejeitar papéis que ele vê como realmente incompatível com sua fé.

Por outro lado, precisamos estar cientes do perigo do “culto as celebridades” ou “exaltar alguém aos olhos do público”. Não estou dizendo que não devemos deixar de ver filmes com atores cristãos. Longe disso. Mas eu acho que é preciso questionar a visão de mundo propagada no meio cristão, onde muitas vezes esta implícito que nosso dever é defender primeiramente celebridades que são cristãs e deixar os “meros mortais” sofrerem com a opressão do mundo.

Para começar, temos de combater o falso pressuposto de que o Reino de Deus funciona em uma espécie de hierarquia eclesiástica de forma que as pessoas mais influentes, como as celebridades, são mais valiosas. Nós cometemos este erro, em parte, porque nós assumimos que as pessoas mais visíveis na nossa sociedade são aqueles que fazem a maior diferença na história do mundo, dirigindo-se na direção certa. Celebridades, políticos, músicos e estrelas do esporte – de acordo com essa mentalidade – são os únicos a fazerem grandes coisas pelo mundo e, portanto, fazer uma grande diferença.

Esta visão pode nos fazer com que achemos a nossa vida de fé diária muito chata, entediante. As pessoas normalmente falam de “estar em uma rotina” como se isso fosse uma coisa ruim. No entanto, a vida cristã é direcionada a uma certa “rotina santa”, onde diariamente não devemos ter o “glamour” de ser um cristão, mas sim ser aquele que aparentemente é insignificante aqui na Terra.

O verdadeiro cristianismo seria chato, para nós, se fizéssemos o que deveríamos fazer todo o dia: passar a nossa vida toda servindo os outros fielmente! Em vez de pensar grande querendo ajudar a Deus (como se Ele precisasse da nossa ajuda), os cristãos deveriam pensar pequeno e fazer um trabalho melhor. Quando a nossa exaltação as celebridade denigre a nossa fidelidade nas pequenas coisas, isso acaba se tornando um problema. Como Paulo aponta em 1 Coríntios 12:22-25:

“Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis, e os membros que pensamos serem menos honrosos, tratamos com especial honra. E os membros que em nós são indecorosos são tratados com decoro especial, enquanto os que em nós são decorosos não precisam ser tratados de maneira especial. Mas Deus estruturou o corpo dando maior honra aos membros que dela tinham falta, a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.”

Mas talvez a razão que os cristãos se concentram em celebridades é porque tira a gente, “meros mortais”, do trabalho que Deus nos concedeu. Nós dizemos a nós mesmos que eles estão fazendo as coisas que realmente importam, então o nosso próprio papel não é tão importante, nem aqui nem para Deus. Em seu ensaio “O Dom da Terra Boa“, o escritor americano Wendell Berry argumenta que é “é mais fácil ser Sansão do que ser um bom marido, dia após dia, durante 50 anos“. Triste realidade!

De Denzel para porteiros, zeladores, músicos, caminhoneiros, faxineiros e pastores, Deus não está interessado que o seu povo faça coisas extraordinárias, mas sim fica contente quando “pessoas comuns” fazem “coisas comuns” com fidelidade e obediência!

Deus prefere aquela irmãzinha que canta louvores com o coração, mesmo desafinada, do que um grande show com um músico de coração vazio.

O que você acha? É importante para você quando uma figura famosa (cantor, jogador de futebol, ator) se identifica como sendo um cristão?

 

Fiquem na Paz!     Gustavo Woerner

Categorias: Reflexões

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