Fala, rapaziada! Recebemos aqui no departamento de redação da MassaCrente Corporation um ótimo texto do nosso ouvinte Felipe Cincinato (leia-se “Cincinato” com sotaque italiano… hehehe). Ah… o texto tem alguns spoilers sobre a série 🙂

Quando um episódio de uma série de TV nos leva a reflexão.

A série Blue Bloods é um sucesso nas noites de sexta-feira no canal americano CBS. No Brasil a série é exibida pelo canal Discovery ID. A série apresenta um roteiro clássico, digno dos filmes hollywoodianos que exaltam os valores americanos.

No décimo nono episódio da terceira temporada, Blue Bloods apresenta o caso de uma garota católica de boa família que foi encontrada morta às margens do rio Hudson, com as mãos cruzadas em cima do peito segurando um crucifixo sem sinais de agressão sexual. Quem é versado nas séries policiais já sabe que foi um parente muito próximo que executou o crime.

Ao decorrer do episódio descobre-se que a jovem católica estava apaixonada por um mulçumano e havia se convertido ao Islã. Os dois detetives logo descobrem a identidade desse rapaz alvo da paixão da garota. O jovem estudante atende os detetives prontamente, mas quando o seu irmão mais velho, Mustafa, entra na sala, a coisa fica feia. Mustafa, em um tom rude, intima os detetives a se retirarem. O casal de detetives tenta, sem sucesso, acalmar os ânimos dizendo que só querem saber mais sobre a pobre menina assassinada. Mustafa reage dizendo que não tem nada a dizer sobre a “prostituta” morta. Após o irmão mais novo confirmar que o relacionamento deles era apenas platônico, os policiais deixaram a residência.

É claro que um detetive de Nova York, que escuta um mulçumano xingando uma vítima de homicídio de “prostituta”, vai querer arranjar um motivo para “convidar” o cidadão à delegacia para prestar depoimento, mas para isso é necessário um motivo. Os registro da polícia apontam que o Mustafa já fora acusado de agredir verbalmente diversas mulheres em frente a mesquita chamando-as de “prostitutas”, mas nunca compareceu a delegacia para prestar esclarecimentos. Bingo! Motivo encontrado…

Algumas cenas depois, já na delegacia, o detetive inicia o interrogatório dizendo a Mustafa que deixou sua parceira do lado de fora da sala em sinal de respeito a fé do acusado. Logo depois começou a questionar por que ele chamou a jovem assassinada de “prostituta”. Mustafa responde que a chamou assim porque ela se vestia como uma. O detetive fica irritado e diz que ele não tem o direito de dizer isso de uma menina tão comportada. Mas será que ele não tem mesmo?

Tanto no Brasil como nos EUA vigora um estado democrático de direito onde a liberdade de expressão e a liberdade religiosa são asseguradas pela constituição. Posto esta afirmação, Mustafa tinha o direito de falar que a mulher que não usa os trajes de acordo as leis do Islã é uma “prostituta”? Por mais estranho que possa parecer, sim. Entretanto o seu direito se restringe a expressão do seu pensamento religioso. Isso não significa que ele possa sair por aí apontando o dedo na cara de ninguém acusando de coisa alguma.

Essa estória me trás a mente o caso polêmico que vivemos nos dias de hoje. É interessante ver como condenam Marco Feliciano por suas opiniões, ainda que polêmicas. Nenhum juiz tem o poder de condenar um pastor por dizer que o continente africano foi povoado dos descendentes amaldiçoados por Noé. Ninguém pode acusar Feliciano por que ele ser contra o casamento gay. São manifestações de opinião e de ordem religiosa que são asseguradas pela constituição. Não há racismo nem homofobia aí.

É como diz o jornalista da Veja Reinaldo Azevedo “Ou as pessoas professam valores, crenças e ideologias consideradas corretas pelas esquerdas que estão no poder (inclusive nas redações) ou são tratadas como criminosas” (matéria completa no link: http://abr.ai/17jipsr). A manifestação da opinião não pode ser considerada um crime! Se assim for, joguemos a nossa constituição no lixo (ou então emprestemos à Venezuela… eles estão precisando de uma urgente por lá).

Esse episódio de Blue Bloods me fez olhar pelo lado oposto da história. Hoje ocupamos o lugar daqueles que manifestam suas crenças e ignoramos o lado daqueles que recebem as criticas. Neste episódio me senti no lado contrário. Um mulçumano poderia dizer que pela forma como minhas amigas se vestem eles são “prostitutas”? Minha reação precípua seria dizer que esse ser é um idiota fundamentalista. Mas, enquanto ele estiver apenas manifestando sua opinião, ele tem todo o direito de dizer isto.

Quem disse que a democracia é fácil? A jornalista Rachel Sheherazade fez uma colocação fantástica ao dizer: “aqueles que não estiverem prontos para a democracia, que renunciem a ela”.

Somos cidadãos dos céus e da terra. Estejamos todos preparados para enfrentar as dificuldades do nosso caminho, conhecendo os mandamentos endereçados a nós por Deus e também os nossos direitos e deveres aqui na Terra. Sejamos justos e ofereçamos aos outros a liberdade de expressão que queremos pra nós.

Fiquem com Deus!

Spoiler Alert: Mustafa não tinha nada a ver com o crime, a mocinha foi assassinada pelo pai após uma discussão.

Felipe Cincinato

Categorias: Reflexões

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