Um dos temas mais comuns de discussão na vida dos meus amigos na igreja e na vida das pessoas é sobre o perdão e a reconciliação, então coloquei aqui alguns pensamentos meus sobre o assunto.

Quando você reconhece que algo está quebrado, é compreensível que você queira arrumar. Mas o trabalho de reconciliação humana é complicado. A reconciliação pode colocar um fim em uma longa estrada escura e traiçoeira, se ambas as partes estiverem dispostas a isso.

Sabe-se que a reconciliação é um desejo bom e piedoso. É uma atitude, uma perspectiva e uma postura comportamental que transborda com o Evangelho. E é para isso que existe o Evangelho – para que podemos ser reconciliados com Deus. Assim, a qualquer momento que você desejar reconciliação com alguém que você ofendeu ou com alguém que te magoou, você está buscando refletir a glória do Evangelho em sua própria vida.

Aqui estão algumas verdades, algumas delas doídas, sobre o trabalho de reconciliação:

1. A reconciliação é uma rua de mão dupla

Muitas vezes pessoas que buscam reconciliação acabam dando de cara em um muro de desprezo e desinteresse da outra parte afetada. Aí entra um outro fator: o arrependimento!

O arrependimento é um gesto pessoal assim como o perdão. Um agressor pode arrepender-se se a sua vítima o perdoa ou não. A vítima pode perdoar independentemente se o seu infrator se arrependeu. Mas a reconciliação não pode ocorrer sem um criminoso arrependido e uma vítima capaz de perdoá-lo. Uma pessoa só não consegue.

Tanto o arrependimento como o perdão são decisões difíceis de serem tomadas, que parecem, muitas vezes, serem longas estradas impossíveis de se trilhar. A beleza é quando ambas as partes estão dispostas a caminhar. Nem sempre fazer o trabalho de reconciliação é fácil, mas torna muito mais recompensador quando as duas partes estão dispostas a seguir o mesmo objetivo.

Mas e se um não está disposto? Bem, essa é a pior parte…

2. Reconciliação é arriscado

É por isso que trabalhar na reconciliação não é garantia de que ela será alcançada. Estamos lidando com seres humanos aqui, e não com problemas de lógica. Os seres humanos podem ser maníacos, confusos e bagunçados. Dominados pelo pecado. Destrutivos, prejudiciais a si mesmos. Não deveríamos nos surpreender ao descobrirmos que “consertar” um relacionamento dentro de tal grupo poderia ser tão complicado.

Você pode querer realmente buscar a reconciliação com alguém, mas se essa pessoa não está disposta ou se esta com a intenção de manter a sua má vontade de não querer se humilhar, você vai ter que fazer esse trabalho sozinho. Isso significa que você fará o trabalho de reconciliação sem uma garantia de que dará certo.

Há uma glória divina em se arriscar para tentar se reconciliar, mas, sem dúvida, não ter a certeza se a outra pessoa quer se reconciliar, é muito triste. E como você não pode controlar ninguém, não é possível garantir resultados. Por outro lado se você ainda busca a reconciliação, é porque sabe que é a coisa certa a fazer.

Paulo diz que três coisas permanecem: a fé, a esperança e o amor. Estes devem estar todos presentes para que a obra de reconciliação seja eficaz.

3. A reconciliação requer esperança

Quando ambas as partes estão dispostas, todos os envolvidos tem que ter esperança em Deus para que Ele lhes conceda o seu desejo comum de cura. Assim acontece entre um criminoso que realmente se arrependeu e a pessoa afetada. Se aquele que sofreu os danos estiver disposta a perdoar, ali Deus concede irá conceder a cura. Essa é a garantia da Graça: se você quer, você tem.

Quando apenas uma das partes está disposta a se reconciliar, espera-se em Deus para que Ele conceda a cura para os dois lados. Pode não acontecer, mas mantendo uma esperança firme de que Ele pode fazer isso mostra a sua confiança nEle.

4. Reconciliação requer fé

Se você está confiando em suas próprias palavras e obras para trazer a cura ao conflito, provavelmente você vai acabar se frustrando com os resultados. Como já foi dito: as pessoas são complicadas. O trabalho é confuso porque o pecado é um dano real e as emoções levam as pessoas a agir de todas as maneiras possíveis, bagunçado ainda mais o que já estava desarrumado. Mas se você confiar em Deus para fazer o trabalho de reconciliação, então Ele pode usar as suas palavras e obras para trazer a cura. Sua força é perfeita. Isso é uma boa notícia para pessoas imperfeitas.

5. Reconciliação requer amor

A maior das três coisas que permanece é o amor. Esse é o impulso do Evangelho. Não há problema em desejar companheirismo, encontros pacíficos, ou pedir para que Deus acalme os nervos e as emoções, mas essas coisas devem ser subprodutos do motivador chefe da reconciliação – o amor pela outra pessoa.

6. Reconciliação requer paciência

Isto sim é crucial. Se a reconciliação é realmente o que você quer, você não pode desistir. Se você é a vítima, perdoe! É provável que o seu agressor não ache que ele fez algo de errado. É provável que ele ache que você é patético, estúpido ou até mesmo arrogante para perdoá-lo por algo que, para ele, não necessite de perdão. Ainda assim, você deve ser paciente, aceitar o risco e continuar trabalhando no amor.

Se você é um criminoso arrependido, você precisa ser paciente com sua vítima. Dependendo do dano que causou, o perdão pode levar um tempo. Muito tempo. Corre-se o risco do perdão nunca chegar!

Esteja sempre disposto a fazer as pazes e estar aberto para ouvir tudo aquilo que a sua vítima sofreu. Talvez até palavras ríspidas. Se você está realmente arrependido e verdadeiramente quer a reconciliação, você passará por uma “fase de capacho” (aquela que tu só escuta enquanto o outro fala tudo o que você fez de errado). É normal.

Seja paciente com o outro e com a obra que Deus está fazendo. A reconciliação com Deus exigiu a vida sem pecado de Jesus, o trabalho torturante da cruz, uma morte dolorosa, e o milagre da ressurreição. Não devemos esperar que a reconciliação em nossos próprios relacionamentos sejam fáceis ou instantâneos. Temos estradas longas em que carregar fardos pesados.

Paulo deixa bem claro em Gálatas 6:9-10 que “... não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé”.

2 Pedro 3:9 também deixa claro que “O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento”.

Se a reconciliação é um retrato vivo e aplicação do Evangelho de Cristo, então vamos ser “Jesus” para os outros assim como o Senhor foi paciente conosco. Seja paciente com os outros e busque a reconciliação.

 

Fiquem na Paz!          Gustavo Woerner

Categorias: Reflexões

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