Olá pessoal!

Esse será um post um pouco diferente (e um pouco mais extenso também). É que esta semana um internauta (o Tiago) acessou nosso site e deixou nos comentários de um dos nossos textos seis perguntas a respeito da fé cristã, e sugeriu que cada pergunta fosse respondida através de um post. Pois bem…challenge accepted (desafio aceito)…hehehe.

Grande Tiago! Primeiramente obrigado pela visita. Agradecemos também a todas(os) as(os) leitoras(es) e ouvintes que tem acompanhado o Massa Crente ao longo desse ano. Foi um ano de muito trabalho e aprendizado pra toda a equipe. Creio que temos mais aprendido do que ensinado. Iniciamos o Massa Crente em meados de fevereiro deste ano e de lá pra cá temos crescido e amadurecido muito. Mesmo nenhum de nós tendo formação teológica, temos nos esforçado para trazer um conteúdo relevante ao nosso público. Com a experiência que adquirimos esperamos poder fazer melhor no próximo ano. Obrigado a todos que nos acompanham aqui pelo site, pelo Twitter ou pelo Facebook, e a cada um que ajudou a divulgar ou que de alguma forma colaborou para o crescimento dessa Massa. Que o nosso Deus continue nos cobrindo com a sua bondade e misericórdia.

E por falar em misericórdia, a primeira pergunta do Tiago tem a ver com a misericórdia de Deus. A pergunta foi a seguinte:

“1- Se a misericórdia de Deus dura para sempre porque os pecadores são condenados ao inferno? Segundo os Judeus, no juízo final Deus aplicaria um ‘punição’ de acordo com os pecados individuais e depois permitiria a entrada dos gentios ao paraíso. Se a misericórdia de Deus é eterna, ela não se estenderia após o dia do juízo final, assim como a sua palavra que é eterna? Também ouvi de um pastor que os convertidos ao evangelho que estivessem em pecado no dia do Juízo passariam 7 anos no inferno e se não negassem a Deus durante esse período seriam salvos, isso procede?”

Bem, como falei antes, nenhum dos nossos editores tem formação teológica, inclusive eu. Só a título de conhecimento, somos membros de uma igreja protestante de tradição reformada. A minha resposta não será necessariamente teológica, mas sim um apanhado do que estudei, li e entendi a respeito do assunto durante a minha caminhada com Cristo. Sei que existem sites especializados no assunto e até poderia indicá-los para você. Mas elaborar essa resposta será um bom exercício pra eu dar uma desenferrujada, pois há algum tempo ninguém me faz perguntas “cabeludas” como essa (heheheh). No mais, mesmo que eu ou meus irmãos na fé fossemos graduados em teologia, creio que ainda assim não teríamos respostas a muitas perguntas. Há coisas que aceitamos simplesmente pela fé, pela confiança no Deus no qual cremos. Eu costumo dizer que a Bíblia não tem todas as respostas para o que queremos saber, mas ela ensina o que precisamos saber para sermos salvos.

Certo, chega de enrolação e vamos a resposta. A questão é a misericórdia (bondade) e o juízo (ira) de Deus. Parece haver uma incompatibilidade entre esses dois atributos do caráter de Deus. Se Ele é bom e é um Deus de amor (não confundamos com “deus do amor”) como pode mandar pessoas para o inferno? Essa questão traz consigo um elemento muito importante e que vai servir de ponto de partida para nossa conversa: a justiça de Deus. Vamos começar abordando esse assunto da seguinte perspectiva: um dos grandes problemas que os descrentes têm com Deus, por exemplo, é a questão da Sua justiça. Eles não conseguem conceber e conciliar a ideia de um Deus bom e amoroso (como a própria Bíblia menciona) com a maldade e injustiça que há no mundo. Para eles (os descrentes) de alguma forma Deus deveria intervir e não deixar que tanta maldade acontecesse nesse mundo. Por esse motivo, alguns chegam a negar a existência de Deus. Esse é um ponto. Veja que incoerência: se Deus existe, a culpa por tanta maldade no mundo é dEle, porque Ele tendo o poder não intervém pra eliminar o mal. Agora se Deus não existe, a culpa é de quem? A resposta é: a culpa é de nós mesmos. Isso atesta aquilo que a Bíblia diz do Gênesis ao Apocalipse: que a natureza do ser humano é caída e precisa ser regenerada. E atesta também a mania de transferência de culpa que o ser humano tem, que já começa lá em Genesis 3.11, quando Deus pergunta a Adão se ele tinha comido do fruto da árvore. Adão prontamente respondeu (3.12): a mulher que me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi. Em seguida Deus perguntou a Eva (3.13): porque você fez isso? Então Eva responde (3.13): a serpente me enganou, e eu comi. Deus havia dado uma ordem clara, mas nenhum dos dois obedeceu e quando questionados não assumiram a culpa, apenas apontaram para o outro. Assim é hoje em dia. Alguns culpam o governo, o sistema econômico, as grandes corporações, a religião e até Deus. Enquanto o ser humano não admitir que precisa ser regenerado, e que essa regeneração só pode ser feita por alguém perfeito, a saber, Cristo, nunca mudaremos as coisas por aqui. E o que isso tudo tem a ver com os pecadores indo para o inferno? Vou usar a seguinte ilustração: imagine que uma pessoa está dirigindo numa estrada deserta onde não há nenhum tipo de iluminação, apenas o escuro total. Lá pelas tantas o motorista resolve desligar os faróis e continuar dirigindo no escuro. Sabemos que fatalmente vai acontecer um acidente. Neste caso, seria um total absurdo querer processar o fabricante do automóvel pelo acidente causado, pois o carro estava equipado com todos os itens para garantir que motorista dirigisse com segurança. É justamente isso que o mundo está fazendo, dirigindo no escuro. E quando as coisas dão erradas querem processar o fabricante.

Diante de tudo isso, e pelo que já estudei da Palavra, eu concluo que desde a queda lá no Éden, Deus não poupou esforços para se reconciliar com o ser humano. Está tudo devidamente registrado e não há quem não tenha acesso a uma Bíblia – salvo as exceções, é claro, mas ainda assim maioria tem acesso às Escrituras. Em resumo é o que diz a Palavra em Romanos:

Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”.

Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram.

Romanos 1:17-21

Para finalizar, se formos fazer uma breve análise do estado em que a humanidade se encontra hoje, veremos que não difere muita coisa do que era nos tempos bíblicos. Os vícios continuam os mesmos: a idolatria, a mentira, a ganância, o egoísmo, o egocentrismo, prostituição, e por aí vai. Só conseguimos transpassar a história porque a bondade, o amor e a fidelidade de Deus têm nos sustentado e porque Ele nunca desistiu de nós. Ele mantém Sua palavra, nós é que a rejeitamos. E não é por falta da “intervenção”, pois Ele mesmo chegou ao ponto de vir a esse mundo através da pessoa de Cristo. Que deus, na história da humanidade, foi capaz de se rebaixar tanto por amor a sua criação? A vontade de Deus é que todos sejam salvos (1 Timóteo 2.4), mas como cavalheiro que é Ele não obrigará ninguém a aceitá-lo. Deus só pede uma coisa: o nosso coração e que confiemos nEle pela fé. É triste como todo o mundo quer ir para o céu, desde que não precise crer, nem pensar ou dizer qualquer coisa que a Bíblia ensina. Com base nisso tudo (salvo algum engano), creio que há evidencias suficientes para crer que Deus é verdadeiramente justo, pois Ele vem demonstrando Seu amor ao longo da história e dando oportunidade para que nos arrependamos dos nossos pecados, paremos de nos debater e nos rebelar. Diante disso, creio que não seja razoável deduzir que a misericórdia de Deus se estenda para depois do juízo para aqueles que passaram suas vidas negando-O e rebelando-se contra Ele.

Ufa! Até aqui foi pra responder apenas a primeira parte da tua pergunta.

Bem, quanto à leitura que os judeus fazem acerca do juízo como você comentou, confesso que tenho pouquíssimo conhecimento sobre teologia judaica. Mas uma coisa que me chama atenção é essa diferença no tratamento entre judeus e gentios com relação ao juízo. A minha sugestão é que você leia Romanos 3:21-30.

E por último, mas não menos importante, tem a questão do pastor que você mencionou. Segundo o teu relato, o tal “pastô” disse que os convertidos ao evangelho que estivessem em pecado, no dia do Juízo passariam 7 anos no inferno e se não negassem a Deus durante esse período seriam salvos. Mano, com toda certeza isso aí não bíblico. Esse pastor aí deve ter tomado suco de uva estragado e comido pão bolorento na ceia, só pode…hehehe. Se você tiver a oportunidade, peça a ele para te mostrar onde isso que ele afirmou está escrito na Bíblia.

Acho que é isso. Meus parabéns para quem conseguiu ler tudo e chegar até aqui. Espero ter sido útil e ter esclarecido não só as dúvidas do Tiago, mas também de outros leitores que por ventura se interessam pelo assunto. Aguardem que nos próximos posts tem mais perguntas que serão respondidas. Caso haja alguma discordância ou alguma coisa não tenha ficado muito clara, deixe seu comentário e continuaremos conversando sobre o assunto.

Um grande abraço a todas(os) e um novo ano de avivamento para nós que somos chamados o povo de Deus. Que possamos compreender e adorar a Deus em espirito e verdade, pois são esses a quem Ele procura.

Eduardo @edukokinho

Categorias: Reflexões

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