Meu Armário Pessoal

Um dia encontrei-o esperando-me à porta. Olhou-me fixamente: “Há um cheiro estranho na casa”, disse-me, enquanto eu entrava. “Certamente há algo morto em alguma parte. É em cima. Creio que é no armário do corredor”. No mesmo instante eu soube exatamente a que Ele se referia. Havia um pequeno armário junto à escada, na parte de cima. Não era muito grande, mas ali, debaixo de chave, eu guardava algumas coisas pessoais que eu não gostaria que ninguém soubesse.

Naturalmente, também não desejava que Cristo as visse. Sabia que eram coisas mortas e apodrecidas que pertenciam à minha vida anterior. Entretanto, as considerava tão minhas que me negava a admitir o estado em que se encontravam. Segui-o com relutância e, enquanto subíamos a escada, o cheiro se fazia cada vez mais intenso. Ele observou a porta. Eu estava enojado; não sei como explicar. Eu lhe dera acesso à biblioteca, à sala de jantar, à sala de estar, à minha oficina, à sala de recreação e agora estava me questionado a respeito de um armário de um metro por sessenta centímetros. “Isto é demais”, disse para mim mesmo, “Não lhe darei a chave”.

Bem”, disse Ele, lendo os meus pensamentos, “se acreditas que eu vou ficar aqui com este cheiro, estás equivocado. Vou para fora, para o pátio”. E começou a descer lentamente a escada. Quando alguém chega a conhecer a Cristo e amá-lo, o pior que pode acontecer é perceber que ele está tomando distância, que nos retira da sua comunhão. Tive que ceder. “Darei-te a chave”, disse-lhe com tristeza, “mas terás de abrir o armário e limpá-lo. Eu não tenho forças para fazê-lo”.

Simplesmente dá-me a chave, dá-me a tua permissão para ser o responsável por esse armário e pelo que está dentro, e o farei”.

Com os dedos trêmulos, entreguei-lhe a chave. Tomou-a, caminhou até a porta, abriu, entrou e tirou tudo o que estava apodrecendo ali. Depois limpou a armário e o pintou. Tudo em um instante. Que vitória, que liberdade ter essas coisas mortas retiradas da minha vida!

A Transferência da Escritura

Imediatamente, veio-me um pensamento: “Senhor, é possível te tornares o responsável pela gestão de toda a casa, que a administres como fizeste com o armário? Assumirias a responsabilidade de governar a minha vida, para que ela seja o que deve ser?

O seu rosto se iluminou e a resposta não se fez esperar: “Como eu gostaria! É o que quero fazer. Não podes ser um cristão vitorioso por tuas próprias forças. Deixa-me fazê-lo através de ti e para ti. Essa é a maneira”. E lentamente acrescentou: “Porém, não sou mais que um convidado. Não tenho autoridade para atuar, já que não se trata de minha propriedade”.

Caindo de joelhos ante Ele, disse-lhe: “Senhor, todo este tempo tu tens sido convidado e eu o dono da casa. De agora em diante, eu serei o servo. Tu serás o dono, o Senhor e o Mestre”.

Categorias: Reflexões

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