Imagens são poderosas. Como dizem que “uma imagem vale mais do que mil palavras”, as imagens carregam uma energia e um peso. Elas falam e tocam nas profundezas de nossas vidas emocionais, sociais e espirituais de maneira que nem sempre podemos verbalizar, mas que, no entanto, nos impacta de forma surpreendente.

Eu penso nos trabalhos do jornalista americano Ryan Spencer Reed, ou nas fotos de Renato Russo nos seus primeiros dias, com seu jeito único e seu carisma. Eles me fazem recordar certas memórias e algumas associações, que acabam me falando de uma maneira que só eu percebo, sinto e imagino sobre a imagem apresentada.

Na vida terrena, tornaram-se muitas as imagens e ícones que nos levam a um estado particular, fazendo com que essas imagens resistam às alterações de tempo, local, significado e de associação. O estudioso Martin Kemp, em seu livro “Cristo para a Coca-Cola: Como imagem torna-se um Ícone“, traça várias imagens da história ocidental que têm prendido a nossa atenção. Martin presta certa atenção nas imagens religiosas e culturais e mostra como as histórias dessas imagens ganharam uma posição em nossas mentes: as imagens de Cristo em ícones ortodoxos orientais, a bandeira americana, o logotipo da Coca Cola, entre outros.

Apesar das histórias que moldaram essas imagens, elas se apresentam como representantes de não apenas uma marca particular ou de uma nação, mas das ideias e valores que as tecem. Após analisar o livro de Kemp, eu me perguntava sobre a minha própria relação com as imagens e, mais especificamente: “como as imagens que moldaram a minha fé”.

Tornei-me um cristão ainda na escola e participo de uma igreja que não vê a adoração a ídolos e santos como correta. Fui para a faculdade, onde me foi mostrada uma forte exposição aos meios em que os católicos e cristãos ortodoxos se apropriavam na adoração de imagens, prática que gera certa polêmica.

Eu aprendi a diferença entre “adoração” e “veneração” e percebi que essas outras tradições compreendem as imagens como ferramentas para a adoração, não como objetos de adoração, que de certa forma convidam o devoto a participar da narrativa bíblica.

Na Grécia Antiga, os mosteiros que foram construídos a mais de mil anos têm as paredes cobertas com ícones, revestidas de uma pintura dourada antigo e com fumaça de incenso. E isso me ajudou a encontrar as muitas imagens que marcaram a minha vida na igreja reformada. Protestantes carregam tantas imagens quanto os católicos, embora as nossas não sejam tão vibrantes como as de outras tradições.

Exemplos? Bem, a imagem do pão e do cálice; a imagem da fonte batismal, a imagem do arco-íris; da cruz; de uma pomba.  Em toda a minha vida cristã, tenho sido cercado por imagens que, através de suas histórias e de meus próprios encontros, assumiram um significado importante para mim. Eles descrevem o que eu não posso sempre proclamar, com palavras claras, mas que carregam peso e significado próprio.

Nossas posições sobre o uso de imagens na vida cristã e adoração podem ser diferentes, mas é verdade que, para todos nós, as imagens assumem determinados papéis na maneira que nós adoramos e acreditamos.

A pergunta que fica é: Que imagens moldaram você e que perguntas sobre elas que você carrega?

 

Fiquem na Paz!                    Gustavo Woerner

Categorias: Reflexões

Comente pelo Facebook »