Olá pessoal!

Há semanas venho meditando sobre algumas coisas a respeito das duras críticas que tem sido feitas à igreja e aos evangélicos de modo geral na internet – principalmente em blogs cristãos como o nosso e nas redes sociais (Twitter e Facebook). Como nós do MassaCrente produzimos conteúdo para internet, e estamos obviamente inseridos nesse meio, eu particularmente tenho visto, lido e ouvido vários conteúdos, de diversos segmentos e de diferentes abordagens. Devo dizer que simpatizo com alguns e com outros não. Dentre esses segmentos existem os mais liberais, libertários ou chamados também de subversivos – aliás, abrindo um parênteses aqui, a palavra “subversivo” está em alta hoje em dia no meio cristão – e outros mais conservadores, tradicionalistas e até, porque não dizer, legalistas. Olhando desta perspectiva eu arrisco a dizer que o Evangelho tem sofrido uma espécie de politização, onde temos os que são de “esquerda” e os que são de “direita”. Se querem saber qual meu posicionamento, assumo que sou da “direita”, ou melhor, da “extrema-direita”, pois segundo Mateus 25:41 os da esquerda estarão em maus lençóis no dia do juízo (brincadeirinha :D).

Bem, é possível que você não concorde com o que escrevi até aqui ou com o que vou escrever nas linhas seguintes. Se esse for o teu caso…fica sussa, puxa um banquinho, senta aí e vamos tomar alguma coisa e dialogar sobre o assunto, que é muito mais produtivo do que ir “xingar” no Twitter ou no Facebook – o que, em minha opinião, é muito deselegante. Aliás, abrindo outro parênteses aqui, penso que muitas vezes o conhecimento em geral, a crítica e a própria teologia têm sido usados muito mais para ferir e separar do que para promover a cura e unir os cristãos. Reflexo de egos inflados pelas glórias fofas que o mundo da intelectualidade oferece. Nada contra os intelectuais, devem existir. E temos que respeitá-los por sua integridade, o que é diferente de bajulice. A internet não deixa de ter seus holofotes, e poucas são as pessoas que resistem ao seu círculo luminoso.

Pois bem, como ia dizendo, tenho observado o conteúdo crítico cristão no meio virtual e isso tem sido motivo de inquietações para mim, inquietações estas que eu quero compartilhar com vocês. Seguindo aquele raciocínio que mencionei sobre a “politização do Evangelho”, o que desejo discutir aqui não é qual dos lados está certo. Portanto, seja lá com qual grupo você simpatiza mais – se da “esquerda” ou da “direita” – não importa, pois em ambos os casos as críticas excessivas vertem, e das mesmas nascentes: do inconformismo com o conformismo cristão; e dos abusos cometidos em nome de Deus. O fato é que estamos oscilando entre um discurso cristão moralista onde uns reduzem o Evangelho a uma simples melhora moral do ser humano; e outros isolam o caráter subversivo da pregação de Jesus e reduzem o Evangelho a uma luta política revolucionária ideológica em prol das classes menos favorecidas. Vemos discursos apaixonados (entenda-se predileção) de lá e de cá.

Disso tudo eu penso que não podemos estreitar a abrangência do Evangelho apenas à moral humana, pois de pouquíssima importância seria a obra de Cristo se Ele viesse apenas para trazer um conjunto de bons conselhos e princípios morais e éticos para vivermos bem em sociedade. E penso também que a igreja deve, de fato, ser mais relevante do que tem sido hoje em dia e desempenhar melhor seu papel como agente transformador social. Eu só não aprecio a ideia de usarem as Escrituras para legitimar discursos que isolam determinadas características do Evangelho.

Mas o que tem me inquietado de fato é que me parece estamos nos contentando com o discurso (que por sinal está bem afinado em boa parte) e nos sentimos satisfeitos com a aparência. Nesse contexto, a nossa aparência pode ser mais feia do que possamos estar imaginando: somos um cabeção num um corpo franzino.

Frequentamos o Twitter, o Facebook e blogs, seguindo um aqui, dando um “joinha” lá, comentando um texto acolá, nos enchemos de conteúdo, desenvolvemos o senso crítico e assim nos sentimos participantes e ficamos por isso mesmo. Há uma frase de Agostinho (que vem bem a calhar) que diz: “não sacia a fome quem lambe o pão pintado”. A internet tem muito disso, vivemos num mundo de ideais, de pessoas idealizadas, onde tudo é tão honesto e sincero, igualzinho na TV. Mas quando voltamos para as nossas igrejas, muitas vezes não vemos nada disso que assistimos aqui e nos sentimos frustrados por isso. Então preferimos ficar por aqui mesmo, fazer parte aqui sem nos dar conta de que aqui, na realidade, não somos parte (não integralmente, pelo menos). Deus nos chama para fazermos parte da Sua história, e não para sermos meros expectadores. Raramente vemos testemunhos de vida como, por exemplo, o do nosso querido Fayson Merege¹, que desenvolve um trabalho com garis na cidade onde mora.

Pra encurtar a conversa, eu gostaria de incentivar tanto aos que produzem quanto aos que “consomem” conteúdo crítico cristão a não ficar só no blá blá blá. Falar bonito é legal, ser ovacionado é legal e ser espectador de quem fala bonito também é legal. A gente se identifica, se sente parte e quer as mesmas coisas. Mas acabamos ficando só nisso, o que me lembra o trecho de uma música dos Engenheiros do Hawaii: ♪♫saber todo mundo sabe♪♫ querer todo mundo quer ♪♫ mais fácil falar, do que fazer♪♫.

Temos que continuar, sim, a bater o dedo na tecla, apontar os erros, colocar o dedo na ferida e tudo mais. Mas muito mais que isso temos que buscar transformar o conteúdo que temos absorvido em soluções práticas e viáveis para que possamos, de fato, sermos cristãos e/ou uma igreja mais relevante como tanto almejamos ser. Sabemos (ou pelo menos deveríamos saber) exatamente o QUE fazer, mas nem sempre sabemos o COMO fazer. Eu tenho meditado sobre isso, em como chegar lá onde queremos.

Uma das idéias que me veio foi de reunir alguns amigos e irmãos na fé pra conversar, debater e dialogar sobre os problemas que cada um vê na nossa comunidade (especialmente na igreja onde congregamos). Já consegui colocar isso em prática e foi uma experiência muito interessante. Penso que é um bom começo. Deixo claro que não se trata de nenhum motim ou movimento de rebelião, pois esse tipo de atitude mais espalha do que ajunta e acaba criando sentimentos facciosos. Trata-se de um movimento pequeno, de pessoas realmente preocupadas em não só apontar os erros, mas aos poucos chegar juntos em soluções práticas e viáveis para resolver os problemas que nos cercam. Não há nada que substitua uma conversa franca, longe das retóricas vazias e idealismos, olhando olho no olho, vendo as expressões, ouvindo os tons das vozes, enfim…o contato direto com a “massa” (crente…heheh).

Eu não sei em qual contexto você vive, a qual denominação você pertence ou quais os reais problemas que você ou a sua comunidade enfrenta. Mas quero incentivar você a começar a pensar em como você (e não os outros) pode fazer realmente a diferença. Aliás, comece perguntando a si mesmo o que é, de fato, fazer a diferença.

Caso algum leitor tenha algo a compartilhar, uma experiência, uma sugestão ou até mesmo uma crítica, deixe seu comentário ali embaixo e vamos conversando sobre o assunto. No mais, deixe um pouco a internet de lado e procure ter mais contato pessoal e profundo com seus amigos e irmãos na fé.

Fiquem na Paz!

Eduardo @edukokinho

Acesse e conheça o blog Transformados pelo Evangelho, do Fayson Merege¹ que foi citado no texto.

Categorias: Reflexões

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