Eu admito: tenho medo. Mas quem não tem? Muitos gostam de falar de sua coragem glória, mas poucos admitem ter medo. Se confessarmos para alguém que estamos com medo de alguma coisa, provavelmente ouviremos: fique tranquilo, deposite sua confiança em Deus. Essa fala tornou-se tão trivial hoje em dia que nem faz mais muito efeito, mesmo para nós que somos cristãos, pois nós sabemos exatamente a quem recorrer também quando estamos com medo. Mas não é disso que vou falar.

Medo. Medo é sinal de que temos alguma sanidade. A pessoa que não tem medo de nada é louca, imprudente e inconsequente. O problema do medo é que o excesso de medo paralisa e nos transforma em covardes; e a total falta dele nos leva à consequências catastróficas. Nós temos que estar sempre naquele meio termo entre o cuidado excessivo que imobiliza e a ousadia inconsequente. Na teoria tudo isso é muito simples, já na prática a conversa é outra.

E vocês querem saber qual é um dos meus maiores medos? Pois eu respondo: um dos meus maiores medos é decepcionar as pessoas. Não no sentido de não conseguir agradá-las, não é essa a questão. Deixe-me contextualizar isso. Há algumas semanas tivemos um seminário sobre relacionamentos virtuais. Na verdade, em minha opinião, não há de se falar em “relacionamentos virtuais”, mas sim relacionamentos reais através de um meio virtual. Antigamente a realidade virtual se restringia à interação entre ser o humano e uma máquina. Bem, sabemos perfeitamente que máquina não tem sentimentos. Com a evolução tecnológica, hoje temos a interação entre ser humano – máquina – ser humano. Há dois seres humanos, um em cada ponta, e por esse único detalhe as coisas tornam-se muito mais sérias. É neste ponto que eu queria chegar: o ser humano do outro lado da tela não é máquina, assim como na “vida real” também não. Quando eu disse que tenho medo de decepcionar as pessoas eu estava querendo dizer que quando pessoas estão envolvidas, seja por qual meio for, significa que sentimentos e emoções de alguém estão em jogo. Nesse sentido, o que eu estava querendo dizer esse tempo todo é que tenho medo de trair a confiança de alguém, medo de falar com arrogância, medo de brincar com os sentimentos dos outros, medo de enganar, enfim….

Ter medo até onde me lembro nunca foi virtude, mas se pensarmos bem ele precede a prudência. Em todo esse contexto o medo do qual estou falando não se trata de covardia, mas apenas de prudência quando lidamos com pessoas. Então, nesse sentido eu encorajo você a ter medo. (hehehe)

Um abraço e uma abençoada semana a todos.

@edukokinho

Categorias: Reflexões, Testemunhos

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