Olá pessoal!

Dando sequencia ao circuito de respostas ao leitor, estamos de volta com mais uma questão levantada pelo nosso visitante ao site, o Tiago.  Se você não sabe do que estou falando, veja o post “Misericórdia em questão” clicando aqui.

O texto de hoje será a resposta à segunda das 7 perguntas (e não 6 como eu havia mencionado no outro post) feitas pelo o Tiago. A pergunta foi a seguinte:

O evangelho prega o monoteísmo, porém adoramos Jesus como ao próprio Deus, logo adoramos a dois deuses?

Atenção, MassaCrente! Valendo uma túnica e um par de sandálias…qual é resposta correta??!!

Letra A – Jesus como filho de Deus é apenas um ser criado e, portanto, não pode ser adorado como o Deus Pai e Criador;

Letra B – Jesus é o filho de Deus e, portanto, tem a mesma natureza do Pai que o gerou e pode ser adorado;

Letra C – É pecado adorar Jesus, pois estaríamos transgredindo o 1º mandamento;

Letra D – Papai do céu me ajuda!

Atenção produção…TEMPO para o MassaCrente! Tic tac, tic tac, tic tac…Péééeéép!

Certo…certo…brincadeiras a parte vamos à resposta.

Esse lance de filho de Deus era um dos assuntos que mais gerava tensão entre Jesus e os fariseus e mestres da lei. Para eles, os fariseus e os mestres da Lei, alguém se intitular filho de Deus era considerado blasfêmia e a punição era o apedrejamento conforme estabelecido pela Lei Mosaica em Levíticos 24:10-13. Era coisa séria isso aí. Os Evangelhos (Marcos, Mateus, Lucas e João) estão repletos relatos a respeito desses encontros conflitantes. Um desses relatos está em João 10:30-33. No versículo 30 Jesus declara “eu e o Pai somos um”. Rapaz… pensa num povo bravo que ficou esses fariseus e mestres da Lei!

Essa declaração “eu e o Pai somos um” é suficiente para aceitarmos a divindade de Jesus e, portanto, não há problema em adorá-lo. A resposta correta na brincadeira que eu fiz acima seria a letra “B”.

Ok…ok…mas a questão que você levantou foi se adorando a Jesus não estaríamos dessa forma adorando dois deuses, ou seja, estaríamos praticando o politeísmo (o que é totalmente contrário às Escrituras).

Para responder essa pergunta de forma completa, teremos que chamar mais um “indivíduo” para a conversa: o Espírito Santo. Aí temos o Deus Pai (Criador), Filho (Redentor) e Espírito Santo (Santificador), o que nos leva a doutrina da Trindade, ou trinitarismo, que não deve ser confundido com triteísmo. Pronto! Agora só piorou, pois ao invés de um só Deus temos, em tese, três deuses. Para esclarecer melhor essa questão, eu recorri à explicação de Russell Norman Champlin (PhD), que diz o seguinte:

[…]“O trinitarismo oferece o único meio de escape para que se possa aceitar a divindade do Filho e do Espirito Santo sem que se deixe de ser monoteísta. Continua havendo um só Deus, mas existente em três essências, em três expressões dessa essência. Naturalmente que não compreendemos muito sobre o sentido dessas palavras, e certamente nada da realidade por detrás delas, pois compreendemos pouquíssimo acerca da essência de Deus. De fato, nem sabemos o que compõe a matéria…quanto menos a divina substância.”[…]

[…]”A palavra “pessoa” pode ser ilusória, pois esse termo designa para nós individuo separado, racional e moral. No ser humano, a personalidade indica independência; mas, ao aplicar-se a Deus isso não é verdade. Cada “pessoa” da Trindade é autoconsciente e auto-orientada, mas jamais independente das demais”.[…] Não se trata de hierarquia, mas de uma relação perfeita de amor e submissão (comentário meu)

Puxa! Essa explicação toda está parecendo trabalho de escola…heheheh. Em resumo a questão toda envolve a divina substância e a essência de Deus. Jesus, por exemplo, não foi meio ser humano e meio Deus. Ele foi 100 por cento humano e 100 por cento Deus. Não há como fazer uma separação. É importante lembrar que a Jesus foi dada toda a autoridade e poder. Mas Ele, mesmo tendo poder para responder como devia (segundo nossas concepções), por exemplo, aos malfeitores que questionaram sua divindade conforme o evangelho de Lucas 23.39 onde diz: “E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.”; mesmo tendo poder pra isso Jesus  abriu mão de suas prerrogativas divinas por obediência ao Pai e seguiu até o final, para o sacrifício da cruz.

Bem, Tiago e demais leitores, acho que é isso. Espero ter esclarecido essa questão e não ter confundido vocês. Saibam que o meu lema é o seguinte: se não puder convencer, então confunda. (hehhehe…brincadeira).

Embora eu como crente em Cristo entenda toda essa questão da Trindade, deidade de Jesus e tudo mais, confesso que ainda tenho dificuldade em expor sobre o assunto. Pessoalmente eu acho um assunto meio chatinho de explicar (hehehhe). No mais, penso eu que qualquer explicação acerca dessa matéria traz necessariamente em si uma limitação, pois o que sabemos nos é transmitido em termos humanos, que compreendemos por meio de padrões humanos. E sabendo que o conhecimento humano é tremendamente limitado até quanto à questão material mais simples, jamais chegaremos à plenitude do conhecimento acerca de Deus.

Caso algo não tenha ficado claro, ou se tiver um teólogo de plantão por aí que esteja lendo essa postagem e quiser colaborar com a gente, é só deixar seu comentário ali embaixo. Estamos aí pra conversar.

Um abraço e fiquem na Paz!

Eduardo @edukokinho

Categorias: Reflexões

Comente pelo Facebook »